
Em novembro de 2023, Ana Maria Hauagge Thomasi decidiu procurar um médico para investigar uma cólica recorrente que, de tempos em tempos, a incomodava. Aos 76 anos, além do desconforto físico, enfrentava a tristeza do luto: vivia a dor da perda do marido, falecido em 2021, vítima da Covid-19 durante a pandemia.
Após uma bateria de exames, veio o diagnóstico: diverticulite, uma inflamação caracterizada pela formação de pequenas bolsas na parede do intestino grosso. Na véspera de Natal daquele ano, Ana Maria sofreu fortes dores abdominais e precisou ser internada às pressas, em Curitiba. A cirurgia correu bem, mas, cinco dias depois, surgiram complicações.
Ela foi entubada e passou 15 dias na unidade de terapia intensiva, com o prognóstico reservado. A equipe médica chegou a preparar a família para o pior, tamanha a gravidade do quadro, mas ela dá testemunho de que graças a unção dos enfermos, e os profissionais do hospital, conseguiu se recuperar.
A batalha, entretanto, estava longe de chegar ao fim. A infecção persistente e a dificuldade de cicatrização exigiram a instalação de uma bolsa de ileostomia. Ana passou os três meses seguintes acamada, com dores intensas, e chegou a ser medicada com morfina. Nesse período, perdeu mais de 20 quilos, saindo dos 68 kg para 42 kg .
Diante desse quadro, ela foi tomada pela depressão, debilitada e ainda sofrendo com o falecimento do marido, com quem teve um lindo casamento de 59 anos, pensou muitas vezes em se entregar, pensando em se encontrar com o companheiro de vida.
A mudança ocorreu quando uma das enfermeiras lhe lembrou de sua fé católica. “Minha família toda é fervorosa no catolicismo. Um dia ela ligou a tv na Rede Vida, e estava começando uma novena para São José. Pedi muito para que ele ajudasse os médicos a encontrarem o remédio certo para dar fim à infecção”, conta.
As orações se tornaram a base de apoio de Ana Maria. Como estava internada em um hospital católico, ela tomava comunhão diariamente. Amigos e familiares também fizeram correntes de oração, e assim, gradativamente o seu quadro foi revertido.
Em novembro de 2024, ela passou pela cirurgia para retirada da bolsa de ileostomia. A operação foi um sucesso, e seu intestino voltou a funcionar normalmente em poucos dias. Em abril de 2025, aos 78 anos, Ana Maria comemorou não apenas mais um aniversário, mas uma nova fase da vida.
Hoje, plenamente recuperada, ela voltou a trabalhar em sua empresa e dedica parte do tempo a atividades voluntárias na igreja. A experiência transformadora que viveu deixou aprendizados profundos: a importância da paciência e do respeito ao tempo de cada processo, além da valorização da vida como um dom precioso. Para Ana Maria, o caminho da cura foi também o da fé — um renascimento físico, emocional e espiritual que ela leva como missão e testemunho.
