
A vida de Juliana Soler Musetti, 43 anos, vendedora executiva em Londrina, é marcada por perdas irreparáveis, fé inabalável e milagres. Casada com Lucas Maciel Musetti, em 2016 ela engravidou de seu primeiro filho, tão esperado pela família. Mas a gestação trouxe riscos inesperados: com pressão altíssima, foi diagnosticada com trombofilia, e sofreu uma pré-eclâmpsia grave (quadro que pode causar o falecimento da mãe por falência dos órgãos) e precisou antecipar o parto. O bebê, que recebeu o nome do pai, nasceu prematuro, com apenas 850 gramas.
Ainda nos primeiros meses da gravidez, Juliana havia feito uma oração, entregando a vida do filho ao Senhor, e confessou à mãe que sentia um pressentimento de que algo grave aconteceria com a criança. Logo após o nascimento, essa sensação se confirmou. Apesar das tentativas médicas, o pequeno Lucas não resistiu, falecendo cinco dias depois. “Quando meu filho morreu, morreu também o nosso sonho”, recorda.
O luto e o medo a afastaram por alguns anos da maternidade. “Eu tinha muito medo de passar por todo esse trauma de novo”, conta. Mas em 2019, encorajada pelo marido e pela família, decidiu tentar novamente. O caminho, porém, não seria simples: a gravidez foi altíssimo risco. “Cada ultrassom era uma vitória”. Chegando perto do exame da 27ª semana gestacional, que era considerado decisivo para diminuir o risco de vida, ela ouviu de uma psicóloga que estava vivendo uma grande batalha espiritual e precisava se apegar a São Miguel Arcanjo. Em oração, fez uma promessa ao anjo: se a filha nascesse saudável, sua primeira roupinha seria levada ao santuário, em Bandeirantes.
Na véspera do ultrassom decisivo, Juliana relata ter sentido “um bater de asas” durante o exame, sentindo a presença de São Miguel presente. E assim nasceu Manuela, em plena pandemia. Embora a equipe médica cogitasse encaminhá-la à UTI, contra os prognósticos, a filha saiu rápido do hospital, nos braços da mãe, que cumpriu a promessa feita ao Arcanjo maior.
Dois anos depois, já aos 40 anos, Juliana recebeu a notícia inesperada de uma nova gravidez. Helena nasceu após uma gestação de alto risco, sustentada por medicamentos caros e por orações constantes. “Eu tinha que tomar uma injeção de R$ 200,00 por dia, por problemas de coagulação, durante toda a gravidez. Mas Deus proveu. Certo dia, eu recebi uma caixa dessa injeção, inesperadamente, de uma amiga. Outros amigos me davam dinheiro, ao invés de presentes. E assim foi durante toda a gestação”.
Logo após o parto de Helena, Juliana enfrentou a luta mais difícil: uma grave infecção generalizada que quase lhe custou a vida, em função da última cesariana. “Minha filha tinha poucos dias de vida, e a outra ainda era um bebê. Eu tinha muito medo de não sobreviver, e deixá-las sem mãe. Por isso, eu pedia muito a Nossa Senhora, porque ela era mãe como eu, e sabia da minha dor de não poder cuidar das minhas filhas.”, relembra, emocionada.
Depois de uma cirurgia para retirada do útero, e muita oração, a recuperação veio. Hoje, Juliana olha para as filhas — Manuela e Helena — como símbolos de superação e fé. Ambas, saudáveis e cheias de alegria, representam a vitória sobre o medo e a confirmação das promessas que marcaram sua caminhada.
Atualmente, Juliana e o marido atuam na Pastoral do Dízimo, e ela coordena a Capelinha da Paróquia Mãe da Divina Providência, em Londrina. Sua história, marcada por um pressentimento doloroso, pela promessa a São Miguel Arcanjo e pelos clamores a Nossa Senhora, é também um testemunho de esperança. Entre lágrimas e preces, Juliana aprendeu a transformar dor em devoção, e a maternidade em um verdadeiro ato de fé.
